quinta-feira, 17 de março de 2011

Le Baton Rouge


Pedrão é uma bróder camarada, daqueles que arranham um The Clash misturado com Surf Music cervejado.
 Quando comecei com essa "stratomania", Pedrão chegava aqui em casa com uma latinhas de Itaipava e volta e meia palhetava um Agent Orange nas guitarras disponíveis.
Eu olhava a cara do rapaz, e via um brilho de strateiro nos seus olhos. Aí pensei comigo: "Po, to juntando tanta peça de guitarra aqui, que um dia desses vou acabar tendo que montar mais uma guitarra...   VOU MONTAR UMA PRO PEDRÃO !!!"

Juntei as peças:  Um braço "China in Box", autêntico ChingLing com headstock anos 70.
Um jogo de captadores que tinham vindo de brinde no corpo da minha vermelhinha (Red Special, post em breve) e começamos a monta-la no corpo da minha velha Fender Japonesa, guardada devido a uma rachadura no pivô da Floyd Rose, além de uma ponte Floyd que arrumei.  Raspamos o escudo com uma lixa na ponta da furadeira e ficou horroroso. Pior foram as manchas vermelhas, tipo "batom na cueca"por causa da tinta da caneta que eu tinha usado pra marcar o corte que teríamos que fazer pra alargar o escudo pra caber na Floyd.  A idéia era fixar a ponte pra que o pivo não cedesse mais. Bom, foi uma pena, mas a rachadura no corpo aumentou, e os restos mortais da japinha viraram decoração na parede da garagem.....


Como a idéia já tinha começado e faltava apenas uma peça, fui fuçar no ebay e achei um corpinho de Fender Mexicana 2003, que tava com um teco por causa de uma queda e por isso estava uma pechincha.  E o melhor, ele era vermelho fosco, do mesmo tipo "batom na cueca" que já era o apelido da bichinha antes mesmo de nascer.   Mandei vir e avisei pro Pedrão. A guitarra vai ser uma Baton Rouge Road Worn.

Chegou tudo beleza, a receita não taxou e acabou saindo bem em conta.  Começou a soldaria, montamos a bichinha e som na caixa.   Quando fui regular, começou o drama. 
Os trastes do China in Box eram ridiculamente desnivelados e aranhados e o acesso àquelas casas depois do 12º traste eram uma verdadeira façanha. Um dos trastes pegava todas as notas das casas anteriores. Além disso a bichinha ficou dura igual um machado. 
Mas como o Pedrão não ligava muito pras casas lá de cima.  Pegou a "Baton Rouge" mesmo assim foi feliz da vida mostrar pro vizinho roqueiro......até vir aqui em casa umas semanas depois, tocar nas outras guitarras, e reparar que aquele braço China in Box, acrescido de cordas arame farpado eram realmente uma desgraça.


Nisso eu já tinha me adiantado. Percebendo que daquele mato ali não sairia nem um viralex, chamei um braço de squier no ebay, dessa vez escuro.
Aliás, os braços de squier são muito bem acabados, e tem um custo MUITO mais baixo que os fender ou licenciados.
Era a chave pra terminar a Frankenstrat budget em grande estilo.
O braço veio zerado, e mais uma vez demos sorte na receita.  NO TAXES. 
Raspei o logo e pra minha surpresa ele coube como uma luva. 
Regulei e pimba.  Um chuchuzinho!
Amanhã ele vem aqui com um saquinho de Itaipava e vai se amarrar.
Baton Rouge Road Worn finally comes to life.

Sabado à noite receberei um SMS:   "Obrigado Leo Fender"





abs

terça-feira, 1 de março de 2011

PAIXÃO A PRIMEIRA VISTA



Tudo começou com uma dessas Squier dos anos 80.


No fim daquela década, resolvi que queria aprender a tocar guitarra.   Meu pai, como 99% dos pais me disse que quem quer tocar guitarra, tem que começar pelo violão.
Como tinhamos 2 Di Giorgios em casa, e eu já tinha tentando, mas não via a minima graça naquilo, mesmo pq nenhum dos meus heróis da época, usavam os "infames" violões, consegui depois de algum tempo convencer meu pai de que "quem quer tocar guitarra tem que começar com guitarra mesmo", consegui no jornal balcão, um exemplar, exatamente igual a este acima.  Uma Squier Bullet preta.  Com o plug frontal no lugar de um dos tones, e os captadores sem aquelas bolinhas tradicionais das stratos.  Mas por ora tava bom.
Por alguns meses tive aulas, mas lembro que ia na casa de um amigo, o mesmo que tinha me dito pra eu comprar uma Squier pq "era da Fender", e eu achava a dele bem melhor que a minha. A diferença é que a dele, que era realmente melhor, era uma Squier Stratocaster, de modelo top das Squier, enquanto a minha Bullet era a baratinha, e ele tinha uma meia dúzia de pedais Boss e um amplificador Marshall.  Ahh, e ele sabia tocar.
Logo, eu precisava de pedais tb. Afinal, qualquer guitarrista que se preze tinha uma penca de pedais, e guitarra sem pedal já viu.  Não sai som nenhum......
Aprender a tocar que é bom, hehehe, só quando tiver um pedal de distorção.....

abs

A guitarra rosa da foto

Embora possa parecer estranho. Existem SIM guitarras boas e sérias desta cor....hehehe

A guitarra da foto é uma Kramer Focus 6000.   Comprei a mesma usada em 95 nos EUA pela bagatela de 200 dolares, isso quando o dolar tava 1x1 com o Real.
Uma verdadeira pechincha, ainda mais se considerado que tais guitarras custavam mais de 1000 doletas quando novas na loja.
Essa guitarra é dos anos 80. Foi produzida nos EUA(ou japão? vou tirar a dúvida e conserto aqui), na época em que as famosas Fender e Gibson haviam perdido espaço para guitarras com ponte de microafinação Floyd Rose e depois licenciados.

Nos anos 90, essas guitarras, chamadas "Superstrats", por terem se desenvolvido a partir da Stratocaster, mas possuirem atributos considerados mais modernos, como a citada ponte Floyd Rose de microafinação e captadores Humbuckers, foram ficando fora de moda por causa do reerguimento da Fender(sobre isso falaremos outro dia) e Gibson, e acabaram perdendo seu valor no mercado americano.

Enfim, comprei essa guitarra pra mim e putz, achei a melhor guitarra do mundo na época.   Parecia que tocava sozinha.   O braço, muito macio e fácil de tocar, e o som muito poderoso e bem definido. Capaz de arrancar agudos estridentes e boas bases.

Vendi a guitarra pra um amigo, e felizmente ela ainda está entre nós.

O ponto fraco, como quase todas as guitarras com microafinação, é a troca das cordas. pq vc tem que cortar as bolinhas das cordas pra prende-las na ponte com chave alien, e isso demanda tempo e paciencia.  Mesmo assim esta ai sempre teve uma afinação fácil e duradoura.

Quando eu estiver com ela postarei fotos detalhadas.


abs